Acordei
antes do toque do despertador, ao menos isso evitou-me ouvir aquele barulho
perturbador, porque para perturbador já basta o que basta.
Ontem
não dei por chegares e olha que me deitei bastante tarde. Acendo um cigarro e
encho o bule do café. Nem preciso de observar detalhadamente a tua roupa para
saber onde estiveste ontem à noite. O cheiro. Também me deste um perfume com o mesmo
cheiro que traz a tua camisa.
Oiço-te
a calçar as pantufas, já estás a pé portanto. Às horas que chegaste ontem não
sei como conseguiste fazer tal proeza. Estás a vir para a cozinha. Dizes «Bom
dia» e eu rio-me e digo «Melhor deve ter sido a tua noite», limitas-te a abanar
a cabeça e a tirar-me o bule da mão. «Estou sem paciência, estive a trabalhar
até tarde, é assim que tens as coisas que tanto caprichas como esse colar que
tens posto, ou não?» e foi o que ele disse. Foi o que bastou. Foi o que foi. Rebentei.
Foi desta. Diz-se que a corda rebenta sempre do lado mais fraco. Que seja fraca
hoje pois será o último dia, sussurrei.
Cheguei
ao quarto, tirei o colar e coloquei-o em cima da mesa-de-cabeceira dele. Hoje será
o último dia. Depois de tanto tempo adiado estou finalmente a fazê-lo. Devia estar
orgulhosa? Devia estar a sentir o gosto à liberdade? Nem o sinto. Sinto apenas
que o pior acabou de começar.
Pego
numa mala e ponho tudo o que consigo lá para dentro. Exceto coisas que vieram
da parte dele. Apenas meu. Para recordações já basta as que tenho. Ah,
lembrei-me que na pasta tenho um papel que não me posso esquecer.
Ele
continua na cozinha. Chegou ao fim, disse-lhe. Ele faz a cara de um burro a
olhar para um palácio. Ah! Como eu me apaixonei por uma pessoa tão vazia como
esta, penso. Tens este papel para assinar, o papel do divórcio.
Eu
deveria ter sido fria como tu foste. Eu disse que nunca perdoaria coisas deste
género. Eu ria de mulheres que também sofreram o que eu estou a sofrer, dizia
que a culpa era delas, que não davam atenção, que não se preocupava e que eles
procuravam um escape. Mas não, a culpa não é nossa. Nós amámos. Nós cuidámos.
Nós choramos noites inteiras enquanto nós não passámos um segundo que seja pelo
pensamento deles. E agora estou aqui.
Afinal
é verdade, a corda rebentou para o lado do mais fraco. E desta vez não foi para
o meu.
gostei da história
ResponderEliminarMuito obrigada!
EliminarAdorei ler :)
ResponderEliminarFico contente, obrigada!
EliminarOwiinn gostei muito querida ^^
ResponderEliminarObrigada sweetie!
EliminarTexto lindo
ResponderEliminarAgradeço imenso!
EliminarBoa sorte com o blog, gostei do texto!!
ResponderEliminarObrigada!
EliminarLindissimo.
ResponderEliminarR: muito obrigada :)
Agradeço imenso!
EliminarDe nada :)
Adorei o texto!!!
ResponderEliminarr: Obrigada pelas tuas palavras!
Obrigada!
EliminarDe nada eheh.
Wow! :D
ResponderEliminarObrigada, penso eu eheh.
EliminarObrigada querida!
ResponderEliminarDe nada*
EliminarAdorei Inês, 1 beijo
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